UDEMO | 17/06/20 | Atualizado em
17/06/20 17:26
A SEDUC E O GOVERNADOR PRECISAM ESCLARECER!
Desde a implantação do ensino remoto nas escolas públicas estaduais, a Udemo vem alertando para o fato de que ele não está funcionando, principalmente devido à falta de preparo dos alunos e dos professores para trabalhar com essa novidade, a falta de infraestrutura (internet, banda larga, celulares, computadores etc.), a heterogeneidade dos alunos e das famílias, e os programas em si. Estranhamente, os dados que recebemos são muito diferentes dos que são passados à Seduc. Em uma DE do interior, como exemplo, os dados comprovam que a devolutiva dos alunos foi em torno de 40% (a DE comunicou 100% à Seduc); o uso do chat travou e os alunos aproveitaram para extravasar sua insatisfação, inclusive com linguagem imprópria (a DE comunicou que o uso do chat foi um sucesso); o aplicativo tem problemas de vídeo e áudio, não permite o compartilhamento de arquivos, e os alunos relataram dificuldades para se registrar, a interface é muito ruim (a DE fez grandes elogios ao aplicativo). Então, uma das razões para a Seduc afirmar que tudo estava indo muito bem no ensino remoto seria o retorno que vinha tendo das DEs. Isto se os comandantes da Seduc fossem muito ingênuos e desinformados. Desinformados, sim; ingênuos, não ! Longe disso!
Uma publicação recente da The Intercept Brasil – “jornalismo sério, destemido e sem amarras” – nos dá algumas pistas sobre esse “otimismo enganoso” da Seduc. O aplicativo, que aqui se chama Centro de Mídias São Paulo (CMSP) “é de uma empresa desconhecida que criou a TV Bolsonaro (IP.TV), e que nasceu no Amazonas. “Portanto, o ensino estadual de São Paulo, Paraná, Amazonas, Pará e Piauí adota sistema criado por grupo que já teve Flávio Bolsonaro como garoto-propaganda”.
Contratados a toque de caixa por conta da pandemia, os aplicativos têm problemas: apresentam defeitos de transmissão de som e imagem e não funcionam em celulares mais antigos. Mais grave, entregam à IP.TV, a empresa que os desenvolveu, uma série de dados pessoais de estudantes menores de idade e seus professores. E, em um dos apps, os alunos são expostos diretamente a mentiras e teorias da conspiração. Já para os alunos de São Paulo e Paraná (nesse caso, como uma opção ao Mano), a IP.TV desenvolveu aplicativos específicos para exibir conteúdos didáticos. “Os governos dizem ter conhecido a IP.TV a partir de recomendações um do outro. Em São Paulo, o governo afirma que a IP.TV doou o app, chamado Centro de Mídias SP. A empresa o autoavaliou em R$ 3 milhões. Um valor obviamente exagerado, segundo três programadores a quem pedimos avaliações do sistema”.
Como esse aplicativo chegou em São Paulo?
Segundo a The Intercept, “O caso paulista é emblemático. O governo do tucano João Doria abriu chamamento público para escolher um sistema para ensino à distância. A IP.TV apareceu dizendo ter desenvolvido tecnologia já usada em outros estados. A assessoria de comunicação do governo de São Paulo nos disse, por telefone, que contratou a empresa pelo “excelente serviço [prestado] no Amazonas”. O secretário de Educação de São Paulo, Rossieli Soares, ocupou o mesmo cargo no Amazonas entre 2012 e 2016, quando a IP.TV já operava no estado”. Portanto, chegou em São Paulo por indicação e apoio do secretário da Educação, que já conhecia os problemas do aplicativo? A The Intercept conclui o seu artigo: “Não sabemos o que a empresa vai fazer com os dados dos milhões de alunos e professores a que teve acesso e nem como está sendo o contato deles com o conteúdo bolsonarista veiculado no Mano. Com contratos feitos às pressas, os governos estaduais também não parecem saber. A pequena empresa sediada em uma sobreloja (no Rio de Janeiro) pode estar bem intencionada, oferecendo uma solução tecnológica de graça. Mas o preço, nesse caso, são os dados e informações dos professores e alunos”.
As acusações são muito graves! Cabe à Seduc e ao governador do Estado de São Paulo respondê-las. E, no mínimo, contestá-las.
Comentário da Udemo:
Nossa maior preocupação não é a ligação da empresa com a família Bolsonaro – poderia estar ligada a qualquer outra família - , mas sim com a politização e o desvirtuamento de um aplicativo de educação a distância que, além de não funcionar, abre os dados de milhões de alunos e professores para uso indevido, inclusive pornografia infantil, conforme já comprovado pela The Intercept!
Para ver o texto completo, acesse:
https://theintercept.com/2020/06/15/app-empresa-tv-bolsonaro-aulas-online-pandemia//>
#FESL – Fé, Esperança, Solidariedade...e Luta !
“A situação caótica da escola pública só vai ser resolvida com a valorização do professor, entendida como respeito à profissão e melhores salários”.
(Mozart Neves Ramos)