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UDEMO | 29/05/20 | Atualizado em 29/05/20 15:54


O IMPROVISO DO MAL DO SÉCULO

 

Ao que tudo indica, a Covid-19 vai ser “o mal do século” 21, assim como foi a Gripe Espanhola, no século 20 e a tuberculose, no século 19. Essa pandemia pegou de surpresa o mundo todo. Alguns países deram resposta rápida a ela; outros, nem tanto. No Brasil, a crise sanitária provocou uma crise econômica e deflagrou uma crise política, com políticos absolutamente leigos na área de saúde tentando impor suas ideias absurdas e insensatas. A crise política, tão grave quanto a sanitária, está empurrando o país para uma grande crise institucional, a pior de todas elas. Em resumo, a pandemia virou um pandemônio. Como o país não estava (e ainda não está) preparado para enfrentar uma epidemia do porte da Covid-19, a saída é a improvisação. O primeiro passo é conseguir mais leitos de UTI, criando novos hospitais ou rearranjando os já existentes. Então, criam-se novos leitos (um avanço!) mas não se contratam profissionais especializados para esses novos leitos de UTI (um entrave). Uma solução pela metade! Improviso! O achismo e o improviso atingem também a educação pública no estado de São Paulo. Mas aí, de forma pouco sensata e nada eficaz. Em vez de instituir férias coletivas, reconhecendo-se a incapacidade de efetivar uma Educação a Distância de qualidade em tão curto prazo - por todos os problemas já exaustivamente discutidos -, a SEDUC decide improvisar e implantar o ensino remoto. Na nossa visão, mais para passar a imagem de gestão do que para resolver o problema. Quais são as consequências desse improviso mal elaborado e conduzido? No limite, não vai funcionar; não como deveria e precisaria funcionar. E o desgaste é muito grande para todos os envolvidos: alunos, pais, professores, servidores, gestores, supervisores e dirigentes. Em resumo, não se pode esperar que um processo falho leve a um resultado eficaz. Vamos dar alguns exemplos de fatos, ações, decisões, contradições que mostram como o processo é falho e desgastante. Levando em conta que estamos no dia 29 de maio, que a quarentena completou 66 dias, que o projeto de ensino remoto foi homologado no dia 19 de março, que o Centro de Mídias de São Paulo foi lançado no dia 3 de abril, que o primeiro programa foi ao ar no dia 6 de abril, qual é a situação que temos hoje? Poucos resultados e muita confusão! Vamos destacar apenas as novidades, já que os dados anteriores são bastante conhecidos.

1. Muitos kits escolares não foram retirados, principalmente nas escolas que atendem a zona rural. Agora, a Seduc quer que os gestores preencham uma planilha, até segunda-feira, dia 1º, às 10h00, “impreterivelmente”, com a quantidade de alunos que não foram retirar o material na escola e “com a distância da casa de cada um deles até a escola”. Além de isso não ser atribuição dos gestores- com certeza eles não têm essa informação -, qual é o sentido dessa exigência? Mais um erro de improvisação: todo o material deveria ter sido enviado aos alunos pelo Correio! Custa caro? Sim! Mas bem menos do que se gasta com a propaganda do programa! E teria sido muito mais eficiente! Um parêntese para uma mensagem aos colegas gestores. Nunca façam o que está fora da atribuição e competência de vocês! Nunca sintam-se compelidos a cumprir o impossível!

2. Durante uma semana, de 1º a 5 de junho, não haverá atividades para os alunos (elas serão retomadas dia 8). Será um período de planejamento, formação, alinhamento de diretrizes e estratégias, esclarecimento de dúvidas, e reorganização do ano letivo. Em apenas um mês de transmissões, esta será a segunda vez que as atividades serão suspensas para serem “repensadas” ou replanejadas!

3. Em resumo, durante a guerra, o exército recolhe seus soldados (todos eles) para ensinar a guerrear!

4. Nessa semana, o professor deve dedicar todo o seu tempo de ATPC, ATPL e aulas atribuídas para acompanhar a formação. Com ATPC e ATPL ocorre um fato curioso: quando interessa, a SEDUC exige seu cumprimento; quando não interessa, a SEDUC desobriga.

5. As habilidades na SED ainda estão defasadas em Ciências. Estão trabalhando para corrigir. Ainda? Depois de todo esse tempo?

6. Outros pontos, variados, já denunciados porém não resolvidos: excesso de demandas burocráticas,  questionários incompletos, escolas sem servidores e gestores, informações e comunicações desencontradas, pressão indevida sobre professores e gestores, atraso no acerto de vida funcional e pagamento dos professores,  obstáculos à designação para substituição, migração desordenada de alunos das escolas particulares para as escolas públicas.


Nesse improviso total, fica difícil saber o que é pior, se o problema, as soluções propostas para o problema, ou a forma como as propostas são desenvolvidas!

Com certeza, lá na frente, muitos profissionais da educação vão se lembrar mais dos improvisos desastrosos da SEDUC do que da Covid-19!

 


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