São Paulo, 15 de maio de 2020
Ofício nº 003/2020
Excelentíssimo Senhor,
O Brasil ultrapassou 200 mil casos de Covid-19, sem perspectiva de estabilização. O país registrou 844 novas mortes, segundo o Ministério da Saúde. São Paulo continua sendo o estado com maior registro de casos confirmados, 54.286, e de mortes, 4.315, em decorrência do novo coronavírus (em 15/05/2020). Na comunidade, escolas estaduais são adaptadas e se tornam espaços para pessoas com Covid-19 se isolarem para controlar a disseminação do coronavírus. A taxa de isolamento continua abaixo do nível recomendado. Os hospitais – públicos e privados – declaram que já não têm capacidade de atender novos pacientes. Daqui para frente, terão de optar por quem atender e quem deixar morrer, seguindo o protocolo da OMS.
Vossa Excelência já vem alertando a população que, se a quarentena não for respeitada, não haverá outra saída a não ser a decretação do lockdown, uma medida radical, mas necessária. Ao que tudo, indica, iminente!
Dentro deste contexto, surge mais uma agravante. Nos próximos dias, milhões de alunos, milhares de famílias e profissionais da educação pública serão obrigados a romperem a quarentena, para efetuarem a entrega e a retirada de materiais nas escolas públicas estaduais.
Pode-se imaginar a magnitude do deslocamento de todo esse pessoal, de casa até a escola, quase sempre usando o transporte coletivo; as aglomerações; as filas nas escolas; a falta de Equipamentos de Proteção Individual – para atendentes e atendidos- além da constatação de que muitos trabalhadores nas escolas já estão infectados com o novo coronavírus, alguns dos quais já foram a óbito. Destaque para a zona norte da capital.
Por todo o exposto, Excelência, pedimos que seja revista essa estratégia de entrega de materiais através das escolas, fazendo-a, se for necessária, urgente e inadiável, através dos correios. O custo financeiro poderá ser alto, sabemos, mas, com certeza, será menor que o custo com o tratamento médico a ser dispensado às pessoas que vierem a ser contaminadas nesse movimento. E, principalmente, inferior ao custo político e humanitário provocado pelas eventuais mortes dos envolvidos nessa grande – e a nosso ver desnecessária - mobilização.
O “FIQUE EM CASA” deve ser respeitado, acatado e mantido!
Respeitosamente,
Chico Poli
Presidente
Exmo. Sr.
João Doria,
DD Governador do Estado de São Paulo
Palácio dos Bandeirantes
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