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Matéria publicada na Folha de São Paulo, 03 de dezembro de 2011.

Professor em escola integral ganhará mais

Docente da rede estadual que concentrar toda a sua jornada num colégio integral de ensino médio terá 50% de reajuste

Programa do governo paulista começará em 2012 em 16 unidades e deve ser ampliado para 116 no ano seguinte

FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

Professores de São Paulo que concentrarem toda a sua jornada em um colégio estadual de ensino médio de tempo integral terão aumento de 50% no salário. A ideia é que se dediquem só a essa escola.

O novo programa começará no ano que vem em 16 colégios e deve ser ampliado para 116 no ano seguinte, conforme a Folha informou ontem. A rede possui 5.000 unidades.

O incentivo salarial foi anunciado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), em evento ontem no qual declaram apoio a seu programa de educação instituições privadas como as fundações Itaú Social, Unibanco, Natura, Victor Civita e Lemann.

A gestão tucana visa colocar o Estado entre as 25 melhores redes do mundo até 2030. Hoje, é a 53ª entre 65, considerando simulação que apresenta São Paulo como um país no Pisa (prova internacional).

Nos colégios de tempo integral deverão atuar cerca de 30 professores, todos com dedicação exclusiva à unidade. A meta é ter 300 colégios no programa até 2014 -9.000 docentes com dedicação integral.

"Será o grande modelo para o ensino médio nos próximos anos", afirmou o secretário de Educação, Herman Voorwald. Um dos diferenciais, diz, é que as atividades do dia inteiro serão integradas.

"Não é a melhor opção ter ensino formal de manhã e currículo diferenciado à tarde", disse Voorwald -este modelo foi implementado na primeira gestão de Alckmin.

Neste primeiro momento, o programa escolheu colégios onde a implementação seria mais fácil, considerando a quantidade de docentes efetivos e espaço. Não considerou se a escola está entre as com mais problemas. O critério para as cem novas unidades em 2012 ainda será definido.

"O que estão propondo para as 16 escolas é o que queremos. Mas como ficam as outras escolas da rede? Parece mais jogo de marketing", disse Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp (sindicato dos professores estaduais).

O secretário deu mais alguns detalhes sobre a nova forma de conceder aumentos aos professores. Desde que assumiu, ele diz que a prova criada na gestão José Serra (PSDB) é insuficiente. Também será considerado o desempenho em sala.

Outra novidade é a criação do professor-auxiliar, que ajudará o titular nas classes de 1º ao 5º ano do fundamental. Eles atuarão nas turmas que não tiverem o aluno-pesquisador do Bolsa Alfabetização, criado no governo Serra, chamado de "segundo professor".

A diferença é que agora ele atuará como auxiliar de um docente da rede. O modelo antigo usa universitários que ajudam na alfabetização.


Modelo poderia ser mais eficiente se começasse por colégio que mais precisa

ANTONIO GOIS
DO RIO

Quando o sociólogo James Coleman publicou em 1966, nos Estados Unidos, o primeiro estudo comprovando que o nível socioeconômico dos alunos era o principal fator a explicar o desempenho acadêmico, a notícia foi recebida como uma ducha de água fria por educadores que esperavam que as escolas fossem capazes de eliminar as desigualdades sociais.

Sabemos, ou deveríamos saber, que elas não operam milagres. Mas podem ajudar muito se derem aos alunos que mais precisam as melhores condições para aprender e reduzir a distância que os separam dos demais.

Difícil achar quem discorde dessa tese, mas é assustador notar que, na prática, ocorre justamente o contrário no Brasil. Mesmo dentro da rede pública, o que acontece é que as escolas que atendem alunos mais ricos são aquelas dotadas de melhor estrutura.

É essa lógica que o governo paulista tenta romper quando anuncia um plano que identifica as escolas vulneráveis e oferece a elas mais recursos para superar suas dificuldades.

Essa política pública com foco na redução da desigualdade, no entanto, seria mais coerente se o novo modelo de escola em tempo integral anunciado ontem começasse exatamente pelas escolas que mais precisam.

Ao expandir a jornada escolar para unidades que não necessariamente são consideradas mais vulneráveis, o Estado apresenta, no mesmo plano, ações que provavelmente caminharão em direções contrárias no que diz respeito à diminuição da desigualdade.

No entanto, seja nas escolas de tempo integral, seja nas unidades vulneráveis que receberão mais recursos, o grande desafio a ser enfrentado é tornar o ensino médio mais atrativo. Afinal, o motivo mais citado em pesquisa do IBGE pelos jovens brasileiros que deixaram de estudar foi a falta de interesse, e não de vagas, pela escola.