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Matéria publicada na Folha de São Paulo, 28 de agosto de 2011.

Programa de maluco


Séries sobre distúrbios psiquiátricos viram cult na TV paga; dois reality shows estreiam hoje

NINA LEMOS

DE SÃO PAULO

Depois que ficou viúvo, um senhor que mora no interior dos EUA transformou sua casa em um lixão. Começou a comprar coisas em ferros-velhos e bazares e nunca mais jogou nada fora. Hoje, ele vive praticamente soterrado.

Para entrar em seu quarto, é preciso escalar uma montanha de coisas amontoadas. Sua sala de estar já era. Almoça em um cantinho, encurralado pelos objetos que junta.

Esse é um dos personagens bizarros (e todos se parecem) de "Acumuladores" (sáb., às 23h), que estreou em março no Discovery Home & Health e virou cult ao mostrar casos extremos do que psiquiatras chamam de "colecionismo".

"Acumuladores" é a série mais comentada de um gênero que ganha cada vez mais espaço na TV: programas sobre distúrbios psíquicos.

Há nos canais pagos séries sobre alcoólatras e drogados, obsessivos compulsivos, ansiosos e por aí vai.

A maioria delas acompanha casos reais, com direito a muita gente chorando e especialistas tentando ajudar os doentes.

Em "Acumuladores", um homem fala aos prantos: "Não quero me livrar disso", enquanto segura uma caneca e é acompanhado por um "especialista" que tenta convencê-lo a largar o objeto.

No A&E, há programa parecido, "Obsessivos Compulsivos" (ter., às 20h), dedicado a quem sofre desse transtorno e de outras obsessões.

O Discovery Home & Health estreia hoje dois programas: "Ansiedade Extrema" e "Mulheres com Medo".
As "síndromes" nunca estiveram tão na moda. Nem os remédios (leia ao lado). Faz sentido que sejam vistas com gente pensando: "Ainda bem que eu não sou assim".

Caso da administradora Cristina Trama, 42, que vê semanalmente "Acumuladores". "O que me chama a atenção é que o meu marido é meio assim. Ele guarda várias coisas, tem milhares de coleções, mas, claro, não chega a esse nível", conta.

Cristina diz que foi útil ver o marido retratado, mesmo com tintas carregadas. "Identifiquei alguns comportamentos dele, mas sei que nunca vai chegar a esse ponto."

"Acho esse tipo de reality melhor que os cafonas que estão na TV aberta", diz o DJ e produtor Johnny Luxo. "Tem tanta loucura no mundo que essa de juntar coisas acaba sendo tranquila", brinca o DJ, que já foi um acumulador. "Mas com tudo arrumado."