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Matéria publicada no jornal Agora São Paulo, 16 de junho de 2011.
Sem professor, aluno tem aula vaga todo dia.
Tatiana Santiago.
Alunos do ensino médio e do ensino fundamental da Escola Estadual Olinda Leite, na Vila Penteado (zona norte de São Paulo), reclamam que tem aulas vagas diárias desde o início do ano. Segundo os estudantes, docentes de pelo menos seis disciplinas geografia, física, química, artes, matemática e educação física estão ausentes.
"Desde o começo do ano estamos sem aula e com falta de professor. Dá pra contar nos dedos quantos dias não saímos antes do horário", diz um aluno de 16 anos, que está no segundo ano do ensino médio.
Ontem, por exemplo, ele foi dispensado duas horas mais cedo. A situação do aluno não é um caso isolado, toda a escola sofre com o problema. Para outro aluno do segundo ano, o problema é a falta de professores efetivados. Segundo ele, o comprometimento dos profissionais temporários é menor.
Segundo a Secretaria de Estado da Educação, em toda a rede, há 220 mil professores, entre efetivos e temporários.
Uma estudante de 16 anos, diz que 3 da 11 disciplinas da sua grade estão sem professores. “não colocam substitutivos para repor os ausentes.”
“Estudando aqui, não tenho nenhuma chance de entrar em uma universidade pública”, afirma outra aluna, que sonha em ser engenheira.
Uma estudante da sétima série apontou mais um problema quando são dispensados mais cedo. “Tem gente que não pode ir pra casa, pois não tem como entrar. Tenho que fica aqui na rua, pois não deixam ficar dentro da escola”. Ela inda diz que já foram oferecidas até drogas na porta da escola.
Alem da falta de aula, os alunos também convivem com a violência. Anteontem, dizem os estudantes, homens armados tentaram entrar na escola e as aulas foram suspensas.
Violência preocupa pais e estudantes.
Alem da falta de professores, a escola também enfrenta problemas de violência. “Todos os dias há pessoas na porta da escola usando drogas, fumando. Raramente tem segurança. Estou no trabalho e fico pensando como está minha filha”, conta o empreiteiro Rui Candido, 37 anos, pai de uma aluna da oitava série. Segundo a menina, os professores substitutos faltam com freqüência, o que prejudica ainda mais o aprendizado dos alunos.
Problema se repete em outras unidades da rede.
Os estudantes da Escola Estadual Olinda Leite, na Vila Penteado (zona norte de SP), não são os únicos a reclamarem do excesso de aulas vagas na rede. O Agora mostrou, recentemente, que na Escola Estadual Padre Anchieta, no Brás (região central), 16 alunos entre 14 e 18 anos passaram a dar aulas de reforço para suprir a ausência dos professores que faltavam. A sugestão da criação do grupo foi dado pela própria direção da unidade.
Porem, de acordo com informações dos estudantes, o grupo foi extinto desde a divulgação da reportagem, no mês passado, quando a Diretoria de Ensino enviou profissionais para a unidade.
Segundo uma aula do sétimo ano (antiga 6ª série) do ensino fundamental da unidade, após a repercussão do caso , ela passou a ter as seis aulas diárias e não foi mais dispensada mais cedo.
A situação da Escola Estadual MMDC, na Mooca (zona leste), também mudou após a publicação da reportagem no Agora, que revelou, no inicio de maio, que faltavam professores de quatro disciplinas.
Segundo Maria do Socorro da Hora, 45 anos, mãe de uma aluna do primeiro ano do ensino médio, foram contratados novos docentes, e agora, sua filha tem quase todas as aulas. Segundo ela, foram feitas melhorias a escola após mudanças na direção da escola.
Resposta
Situação será normalizada em breve
A Secretaria de Estado da Educação diz que estão sendo contratados professores para lecionar matemática e física no período matutino, e que as aulas devem ser normalizadas nos próximos dias. A partir da próxima segunda-feira, diz a pasta, a direção de ensino da região vai enviar para a unidade um professor eventual.
Quanto às demais disciplinas, todas estão com docentes, afirma a Educação, e as faltas esporádicas serão supridas por professores eventuais. As aulas previstas e não ministradas serão repostas de acordo com o calendário escolar.
Sobre a invasão, a direção da unidade informa que três jovens pularam o muro da escola mas, ao perceber a presença de funcionários, fugiram. A Ronda Escolar foi acionada e não houve suspensão das aulas. Após o ocorrido, a administração da escola solicitou a intensificação do policiamento. A secretaria nega que o trio estava armado.
A pasta informa ainda que 15 mil professores aprovados em concurso público já estão sendo contratados.
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