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Matéria publicada no jornal Diário de São Paulo, 7 de fevereiro de 2011.
Ensino com qualidade de primeiro mundo
Especialistas apresentarão ao governo programa para aprimorara educação brasileira até 2022
Regiane Soares von Atzingen
regiane.soares@diariosp.com.br
Se depender de um projeto ela bocado por 12 especialistas em ensino público, o Brasil deverá dar um salto qualitativo na educação básica nos próximos anos. O objetivo do programa, que conta com o apoio de entidades que aluam na área, é diminuir até 2022 o abismo existente entre a formação brasileira e a dos países desenvolvidos.
Mais de 49,8% dos jovens não concluíram o ensino médio
As propostas foram discutidas ao longo do ano passado e resultaram no programa "A Transformação da Qualidade da Educação Básica Pública no Brasil"- O documento traz seis macrotemas que devem ser levados em consideração pelos governantes para melhorar o ensino (veja abaixo alvos do projeto).
Pesquisa revela baixa qualidade do ensino no país: entre os 65 países que participam do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes em 2009, o Brasil ficou na 57ª posição em matemática e 53ª em leitura.
De acordo com o educador Jair Ribeiro, coordenador da associação sem fins lucrativos Parceiros da Educação, a ideia é apresentar medidas "transformacionais" para sair do gerundismo do "estamos caminhando", Para ele a qualidade do ensino é muito baixa e incompatível com a posição que o país ocupa no cenário internacional. "Não podemos mais esperar a regulagem do processo evolutivo. Precisamos dar um salto de qualidade", destaca.
74% da população brasileira não consegue entender um texto simples
"Esperamos que ele (projeto) possa contribuir para a discussão com o setor público. Deve mos partir para propostas mais ambiciosas em furacão da necessidade que o Brasil tem", afinca Ribeiro, lembrando que o único programa semelhante foi apresentado em meados de 1930 e não saiu do papel.
Mobilizar a sociedade deve ser o ponto de partida: os especialistas concordam que para transformar a educação básica é preciso mobilizar a sociedade, que deve saber sobre o problema da qualidade de ensino nas escolas públicas do país.
Das seis propostas que com põem o programa, Ribeiro fala que três são essenciais: valorizar o professor, reformar a carreira do diretor de escola e ampliar o número de horas dos estudantes em sala de aula.
36,6% dos jovens de 16 anos não terminal o ensino fundamental.
PLANO EM AÇÃO
As discussões que resultaram no projeto começaram em maio ele 2010 com os especialistas Cláudio de Moura e Castro, Eduardo Gianetti da Fonseca. Francisco Soares, Jamil Cury, Luis Carlos Menezes, Maria Helena Guimarães de Castro, Guimar Namo de Mello, Mauro Aguiar, Mozart Neves Ramos, Reinaldo Fernandes, Eunice Ribeiro Duhran e Ruben Klien.
Na época, eles foram convidados a responder à pergunta: "Caso fosse eleito presidente da República, quais as cinco grandes ações transformacionais que tomaria para efetivamente resolver o problema da qualidade do ensino público básico, para que o país possa atingir os níveis educacionais dos países desenvolvidos até 2022?".
O resultado será apresentado a presidente Dilma Rousseff, aos governadores e deputados federais para que seja colocado em prática. Os especialistas também sugeriram a elaboração de um plano multipartidário e plurianual para acompanhar a reforma educacional.
ALVOS DO PROJETO
1 - Reestruturação da carreira do magistério
As propostas incluem a reforma das faculdades de educação e uma campanha nacional para valorização da função do professor e da escola, além de criar uma nova carreira paralela e voluntária.
2 - Fortalecimento da liderança nas escolas
As funções dos diretores também estão na mira. Entre as sugestões estão a remuneração compatível, a capacitação para exercer liderança acadêmica e de gestão, além de eliminar a carga administrativa para se concentrar no ensino.
3 - Reforma da estrutura escolar e da educação
Os especialistas sugerem uma educação infantil de qualidade, a ampliação do número de horas dos alunos nas escolas, o estímulo aos programas de reforço e a criação de escolas autônomas.
4 - Renovação do ensino médio em todo país
A ideia é reduzir o número de matérias obrigatórias, oferecer a mesma disciplina com níveis de dificuldade e criar uma interface entre ensino médio e profissionalizante, além de estabelecer relação entre educação e trabalho.
5 - Criação de currículo mínimo nacional
Além de criar e unificar o currículo base nacional, outra sugestão é realizar uma prova no 3° ano de ensino fundamental para avaliar o português e a matemática.
6 - Reforço das políticas de investimentos
Essa proposta inclui a criação de uma lei de responsabilidade educacional, a ampliação da aplicação do FUNDEB e mais investimentos do governo por aluno do ensino básico.
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