|
Matéria publicada no jornal Agora, 9 de janeiro de 2011
Repetir o ano
Atualmente, os alunos de escola pública da rede estadual de São Paulo passam de ano sem risco de repetir. Só no final da quinta e da nona série é que os estudantes podem ser reprovados.
Isso foi criado em 1998. Entre os objetivos da medida estava a tentativa de diminuir o número de estudantes que abandonavam os estudos, desmotivados pela repetência.
A ideia é boa, porque o aluno podia ter reforço, melhorar e continuar na escola por mais tempo. Mas, do jeito que está, acabou virando uma aprovação automática.
Bons alunos, nesse regime, acabam obrigados a seguir o ritmo dos piores, e muita gente na classe não está nem aí, sabendo que não tem chance de repetir. Ou seja, o sistema pode até piorar o desempenho de todos.
Agora, o governo estuda a criação de mais um ano em que haja a possibilidade do aluno repetir. O ideal seria fazer esse novo teste no terceiro ano. É quando o aluno já deveria ter aprendido a ler e a escrever. É melhor que agora, em que a prova pra valer é só no quinto ano.
Mas isso está longe de resolver a tragédia da educação brasileira. O governo precisa pagar salários melhores para os professores. Os mestres também têm que fazer a sua parte, passando por cursos para aprender a ensinar melhor e dando mais atenção aos alunos. Além disso, as escolas e o material distribuído aos estudantes ainda têm que evoluir muito.
Se tudo isso um dia for feito, quem sabe o Brasil seja um país de gente mais educada, com chance de pegar empregos melhores, com salários mais dignos para todos.
|