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15° Fórum Estadual de Educação da UDEMO Caraguatatuba - Out/2008 O
15º Fórum Estadual de Educação da Udemo aconteceu
em Caraguatatuba, entre os dias 15 e 19 de outubro, com o tema "Escola
Pública: Liderança, Inclusão e Exclusão. A parte
cultural constou de 3 palestras, sobre os seguintes temas: O Projeto Político-Pedagógico
da Escola; Liderança e Auto-Estima; Gestão Educacional:
Relações de Poder e os Novos Sujeitos Sociais. Foram palestrantes:
Luis Vicente Ferreira, Wanice Bon'ávígo e César Nunes. No lazer,
o destaque foi para a interação entre os participantes e
o Kiko Lara, músico que já integra a família Udemo,
com muita música, dança e sorteio de brindes. Avaliação geral dos participantes: ótimo! Na abertura do evento, a Palavra do Presidente: Prezadas e prezados colegas udemistas, O tema
deste nosso Fórum de 2008 é mais que pertinente. Liderança,
inclusão e exclusão são conceitos que envolvem questões
cruciais, vividas hoje pelas escolas públicas. Superar
a exclusão, a partir da liderança de educadores, em busca
de novos rumos para suas escolas, é o caminho para a inclusão
e a conseqüente recuperação dessa instituição. As escolas
públicas brasileiras, em geral, e a paulista, em particular, comprovadamente
padecem de qualidade - umas mais, outras, menos. Estão
aí as avaliações externas- Saresp, Saeb, Enem, Prova
Brasil, Pisa- a demonstrar a pouca eficiência do processo pedagógico
das escolas do mais rico estado da federação. Além
do deficiente desempenho dos alunos naquelas avaliações,
outra evidência desse baixo aproveitamento é a dificuldade
de acesso dos egressos das escolas públicas às universidades
oficiais- as melhores- se comparados com os egressos das escolas particulares.
De acordo com dados publicados pela FUVEST, na média, de cada dez alunos que ingressam nas universidades oficiais, quatro são de escolas públicas e seis, de particulares. Essa
proporção se inverte quando as áreas procuradas apresentam
menor dificuldade de acesso e, conseqüentemente, menor perspectiva
de um bom mercado de trabalho. Se considerarmos
a grande quantidade de alunos que saem das escolas públicas, e
que não conseguem uma vaga nessas universidades, constataremos
que a maior parte dos nossos alunos está muito longe de concretizar
o sonho de cursar a educação superior numa instituição
pública, principalmente nas áreas mais disputadas: jornalismo,
medicina, engenharia, odontologia e direito. Essa
é, portanto, a situação das escolas públicas
paulistas. Pode-se
imaginar a realidade educacional dos Estados do Norte e do Nordeste. Constata-se,
o que não é novidade, que a maioria das crianças
e jovens que freqüentam as escolas públicas, no Brasil, são
oriundos das classes mais desfavorecidas. Por isso, necessitariam de uma
escola com mais recursos e opções, e de qualidade. No entanto,
e paradoxalmente, é a eles que se oferece um ensino de menor qualidade.
Repetência,
evasão, dificuldade de acesso aos níveis mais elevados do
ensino e da pesquisa, discriminação no mercado de trabalho. Enfim, exclusão, que é a irmã gêmea da marginalidade, numa sociedade que parece estar derrubando o mito do "crime que não compensa", principalmente na sua vertente do "colarinho branco". Eis o país dos contrastes. Das taperas do Norte e do Nordeste às escolas-modelo do Sul e do Sudeste, cerca de 98 % das nossas crianças estão matriculadas na primeira série do ensino fundamental. Também
cerca de 100 % das nossas prisões estão com excesso de lotação.
Façamos,
no entanto, algumas ressalvas. O ensino
precário não é, por si só, o causador da exclusão
de um número exagerado de alunos. Todavia, mesmo os não
excluídos acabam sendo prejudicados, quando ficam à mercê
de profissionais despreparados e descompromissados. Cabe
ressaltar que, nas escolas públicas, ao lado de professores com
profundas falhas de formação, existem bons profissionais.
A distribuição
desses docentes nas diversas séries e níveis é que
fará a diferença na formação do alunado. Sem
dúvida, escolas precárias comprometem a formação
e o futuro dos alunos que, vindo das classes mais desfavorecidas, não
têm acesso a uma educação complementar e que, por
isso mesmo, não dispõem de qualquer mecanismo de defesa
contra um ensino deficiente. Mas,
ainda que a baixa qualidade do ensino público seja a regra geral,
há muitas unidades escolares que conseguem desenvolver um trabalho
de nível, seja nos grotões, seja nos centros afluentes desse
País. Só
consigo visualizar uma única resposta para o fenômeno: Liderança.
Sim,
porque uma escola de qualidade não surge por geração
espontânea. É algo amadurecido durante anos, a partir de
um longo processo de reflexão, que começa com um pequeno
grupo de professores dedicados, tendo à frente, invariavelmente,
um diretor-líder. Daí
afirmar-se que "a escola é a cara do diretor", ditado
esse que deveria ser substituído por: "a escola de qualidade
é a cara do diretor, do seu professor coordenador e dos professores
realmente envolvidos com a aprendizagem de seus alunos". Por
"professores realmente envolvidos com a aprendizagem de seus alunos"
entenda-se aqueles profissionais que, apesar de todas as dificuldades,
mantêm um bom relacionamento com suas classes e seus colegas, preparam
meticulosamente suas aulas e estabelecem metas a serem atingidas com seus
alunos. São dinâmicos, e por isso estão sempre abertos
às inovações, ao contrário dos negativistas,
para quem toda e qualquer proposta de inovação é
sempre uma mera utopia. Podemos imaginar uma realidade em que esses profissionais estivessem numa escola perfeitamente estruturada, com uma jornada única, de quarenta horas, todas na escola, sendo vinte horas em sala de aula e vinte para atualização e reciclagem, preparação de aulas, recuperação de alunos, atendimento a pais. Numa escola em que a remuneração lhes permitisse uma vida relativamente confortável, sem terem de recorrer a outros empregos e jornadas. Provavelmente, diante de uma estrutura favorável, até mesmo os negativistas tenderiam a melhorar o seu desempenho.
Um diretor
que, com o seu trabalho e a sua liderança, irá contagiar,
ao longo do tempo, um número cada vez maior de professores, pais
e alunos. Até porque, muitos docentes anseiam pela oportunidade
de demonstrar o que seriam capazes de realizar, num ambiente que lhes
favorecesse a criatividade, o que não é a característica
de uma escola rotineira. Não
nos esqueçamos de que uma escola de qualidade será sempre
uma instituição democrática. O incentivo à
participação atrairá a atenção dos
pais que, querendo uma escola melhor para os seus filhos, acabarão
por se envolver com seus projetos e suas dificuldades. Sabe-se
que, como regra geral, as escolas públicas de bom nível
recebem muito mais apoio da sua comunidade do que da Secretaria da Educação.
Portanto, qualidade de ensino e participação da comunidade
são fatores interdependentes e complementares. Nessas
escolas, destaca-se a liderança do diretor. Em muitas delas, antes
consideradas escolas comuns, medianas, excludentes, houve, num determinado
momento, uma ruptura com o passado. Um diretor, detectando graves distorções
no processo pedagógico, estimulou um grupo de professores a refletir
sobre esse projeto, a corrigir as suas falhas, mudar os rumos, estabelecer
metas e cumpri-las. À
semelhança do que ocorreu há pouco na França, e do
que acontece normalmente nos países do primeiro mundo, a nossa
sociedade deveria exigir dos governantes que todas as escolas públicas
fossem de qualidade. Curiosamente,
apesar de toda a precariedade e deficiência que cerca essa escola,
uma pesquisa recente mostrou que, de um modo geral, pais e alunos de escolas
públicas estão satisfeitos com o que essas unidades lhes
oferecem. Nesse contexto de tão baixa expectativa, a luta por uma educação de qualidade pode adquirir foro de utopia. Se uma
escola de estrutura compatível com a qualidade com a qual sonhamos
é improvável em São Paulo, o estado mais rico da
federação; Se um
Piso Salarial miserável, de R$ 950,00 por 40 horas semanais, está
sendo contestado em todo o país; Se as
avaliações externas mostram um resultado próximo
do catastrófico; Então, o que resta? Resta o nosso inconformismo, a nossa luta, o nosso trabalho, o nosso compromisso. Resta a nossa firme convicção, e a nossa crença inabalável, na construção de uma sociedade solidária, justa e inclusiva, de onde emergirá uma escola pública de qualidade para todos. Por isso somos diretores. Por isso, somos líderes. Por isso, somo udemistas. Obrigado.
No encerramento do Fórum, as moções aprovadas: 1. De
elogio e cumprimento à Comissão Organizadora, pelo sucesso
do evento. O
Exercício da Cidadania! NO BRASIL,
A CRÔNICA HISTÓRIA... Confira algumas fotos do evento
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